Moçambique , a Frustração do inevitável

A ocorrência meteorológica sazonal, que os árabes denominaram de ”monção” é causado pelas diferenças térmicas entre o mar e a massa continental, que desencadeia periódicas ciclones tropicais na costa noroeste do Oceano Índico,

Cronicas da época registam que os navegadores árabes e os nautas portugueses organizavam as rotas comerciais das Índias de modo a evitar o período das monções.

Moçambique reúne condições para a formação frequente tempestades tropicais que atingiram nos últimos cem anos a magnitude de nove devastadores ciclones.

Há cerca de vinte anos registou-se em Moçambique um ciclone de superior intensidade à do furacão Idai, ocorrido no mês passado, embora tenha sido muito menor a perda de vidas estragos materiais.

Vários fatores contribuíram para que o ciclone Idai, que irrompeu na linha costeira de Moçambique, destruindo 90% da cidade da Beira, tenha atingido dimensão mais trágica.

A morfologia do solo foi umas das mais determinantes causas da dimensão da tragédia.

 A cidade está localizada numa das áreas mais férteis de Moçambique, no extenso delta da foz do Rio Púnguè, região rasa e pantanosa, de mangais e dunas arenosas, predominantemente abaixo do nível do mar

A decisão de estabelecer um povoamento numa zona tão desprotegida e  inóspita foi ditada por uma companhia inglesa, que administrava exclusivamente o território de Manica e Sofala desde finais do seculo XIX, de  implantar um porto para servir os países vizinhos.

Toda história da cidade da Beira, desde a fundação, tem sido uma luta constante contra do domínio dos extensos braços do imenso delta ,que repetidamente deteriorava os projetos de  urbanização e dificultava as vias de comunicação para o interior duma das áreas mais férteis de Moçambique. 

Outro fator determinate foi a escassez de meios preventivos de calamidades para impedir a elevada da elevada perda de vidas.

O índice de demográfico moçambicano triplicou desde 1975 ,de 10 milhões para 30 milhões de habitantes, crescimento populacional que não pode ser acompanhado por infraestruturas de transportes e comunicações, conducentes à ativação de planos de emergência, de sistemas de alerta rápida ou de atempada evacuação antes de a tempestade chegar.

Noutras regiões do mundo como a costa leste dos Estados Unidos ou do arquipélago Japonês, perante calamidades atmosféricas de maiores dimensões, são as estruturas de comunicações e de transportes, que embora não evitem danos materiais, minimizam as perdas de vidas.

São realidades de difícil solução em tempos de calamidades e que vão dificultar a reconstrução, mesmo que Moçambique fosse bafejado por uma economia robusta e por uma gestão exemplar dos assuntos públicos.

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