25 de abril …tudo para nada

Há poucos dias Otelo Saraiva de Carvalho o comandante do Copcon e da revolução dos cravos participou na emissora TSF numa mesa redonda sobre a temática do 25 de Abril.

Nesse programa de radio Otelo reafirmou, o que já varias vezes tem dito, que se sentia insatisfeito pelo facto de a revolução não ter criado uma verdadeira democracia.

A insatisfação de Otelo pela revolução não concretizada foi confirmada ao admitir numa entrevista feita em 2011 que,” se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o Abril “e “que merecia mais do que dois milhões de portugueses a viverem em estado de pobreza”.

Após 45 anos tudo ficou nas mesma para as  grandes famílias tradicionais portuguesas, que já existiam antes do 25 de Abril, a acumular cada vez mais riqueza e a dominar económica e politicamente o país.

Sob o manto abstrato da democracia a injustiça social e da corrupção atingem em Portugal os níveis mais altos de sempre, com os bancos ao serem saqueados e a proporcionarem créditos ao desbarato para os amigos, levando a ruína as poupanças do povo, que ainda por cima tem que pagar os prejuízos desse pilhanço.

Perante a conivência da classe politica e a impassibilidade de sucessivos governos, os empréstimos sem garantias conduzem a falência as mais sólidas instituições financeiras privadas ou estatais como a Caixa Geral de Depósitos.

Portugal continua a ter um nível de desigualdade social dos mais elevados à escala europeia, uma situação que se agravou na última década, com o aumento da precariedade laboral e da pobreza.

A perspetiva multidimensional da desigualdade da sociedade portuguesa, no acesso a bens e serviços, vai desde nível distribuição de rendimentos à qualidade do emprego, da educação e da saúde.

Outra consequência da desigualdade de oportunidades é a fraca escolaridade da juventude, apontando Portugal como um pais com nível de escolarização abaixo da média europeia.

O índice de pobreza, um dos mais elevados da Europa cifra-se em Portugal em 23.3 % e enquanto para os jovens, sem mercado do trabalho, o desemprego atinge 20.3 %.

O facto que as estatísticas de desemprego ignoram é que nunca na história de Portugal se registou um nível tão elevado de emigração, à procura de melhores oportunidades que não encontra na sua terra enquanto o resto país se despovoou.

Consequências duma revolução, aclamada por homens como Otelo, responsáveis pelo imbecil processo de desmantelar Portugal multicontinental, que destruiu milhares de vidas e debilitou por muitas gerações a economia e infraestruturas das nações que pretendiam libertar.

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