Eleições sul -africanas

Balanço dos resultados

As eleições sul-africanas Presidenciais e para os governos regionais de 8 de Maio, num país considerado por padrões internacionais de elevada violência e nível de crime, decorreram sem incidentes de maior gravidade.

As conclusões mais relevantes a extrair dos resultados de uma das mais contestadas campanhas eleitorais de que há memória, desde o termo do apartheid e da implantação da democracia, e que tinham sido prognosticadas, eram uma redução de apoios ao African National Congress (ANC) e ao Democratic Alliance (DA) e um aumento do Economic Freedom Front (EFF).

Com efeito o mais significativo resultado eleitoral foi o do partido EFF, de Julius Malema, que embora não tenha sido o mais votado foi o que registou um avanço substancial em detrimento das demais formações políticas.

Comparando com as eleições anteriores de 2014 o ANC perdeu apoio popular de  62.15%  para 57.24% e o DA de  22.23% para 20.8 %, enqunto que o FF subiu de 6.35% para10.09%.

A depressão financeira causada pela elevada taxa de desemprego acima de 27 %, a dolosa gestão das empresas governamentais e o impasse da reforma agrária, foram aspetos da situação política económica do país que jogaram a favor do EFF, que os soube aproveitar no seu manifesto programático, de promessas de emprego, terras e de combate à corrupção.

O crescimento do EFF só não foi mais acentuado porque se registou neste ato eleitoral um nível muito elevado de absentismo de cerca de 35 %, o que se traduziu de acordo com projeções estatísticas, em menos 1.6 milhões de votantes para ANC, em menos 296 mil de elitores para o DA e uma presumível perdade  quase um milhao de votos para o EFF, caso houvess maior afluência às urnas.

O absentismo já tinha sido vaticinado perante a fraca adesão ao recenseamento, muito especialmente entre os jovens, por desconfiança perante a classe politica e ainda porque o desemprego na camada juvenil atinge 55% .

Outro fator determinante da baixa presença ao ato eleitoral foram as próprias condições atmosféricas registadas no dia das eleições, com um tempo chuvosos e registo de tornados na zona central dos país, o que dificultou a mobilização das classes menos favorecidas, muito espacialmente nas zonas rurais onde o ANC ainda conta com considerável apoio.

A reforma agrária e a problemática redistribuição de terras sem compensação, assustou os brancos ,que decidiram ir procurar apoio na formação politica africânder Freedom Front, que em termos relativos foi também uma das surpresas ,com um aumento de seis lugares no Parlamento, assim como o partido GOOD ,formado poucas semanas antes das eleições por Patrícia de De Lille, ex  presidente da cãmara de Cape Town, que abandonara o DA de forma litigiosa,

Comentadores políticos afirmaram ,que se o ANC no ano passado não tivesse substituído o anterior Presidente Zuma por Cyril Ramaphosa ,que o revés eleitoral seria ainda mais duro,com um a redução de apoio que poderia ter descido aos 40 %.

Para além da evidente necessidade de reconstruir a economia do país e reabilitar financeiramente as empresas paraestatais como a Eskom, delapidadas por ruinosa gestão, o ANC tem a sua frente o compromisso de reaver a confiança popular, num percurso em que tem de encontrar solução para a redistribuição de terras e de enfrentar a espinhosa missão de joeirar a corrupção governamental.

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