O Estado da Nação

Estudos divulgados na mesma semana em que se realizou o debate sobre o Estado da Nação desenham um cenário bem diverso da panegírica e auto elogios tecidos aos êxitos alcançados pelo atual governo português na última reunião plenária da Assembleia da República antes das eleições legislativas de Outubro.

A informação decorrente de relatórios da Pordata e do INE, sobre o “estado da nação”é substancialmente menos “cor-de-rosa” do que o Primeiro-ministro Antonio Costa a “pintou” na última sessão da legislatura.

Os dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos (Pordata) e do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que o país real continua ser marcado pela desigualdade no dinheiro que as famílias levam para casa, na educação, na regionalização e na saúde e até no acesso á justiça.

Na educação regista-se a “baixa qualificação dos jovens adultos” e um indesejável índice população adulta que não concluiu o ensino secundário.

A frágil estrutura de qualificações continua a ser um dos principais impedimentos estruturais para os desenvolvimentos económico, social, cultural e cívico dos portugueses.

Os dados mais inquietantes são relativos à população residente em Portugal, que nos últimos dez ano reduziu para 10 milhões e duzentos mil, diminuindo em 274 mil pessoas e que essa redução se verificou nas camadas mais jovens.

A diminuição da população, em idade potencialmente mais profícua, foi causada pela emigração que levou para o estrageiro, não só a jovens com mais qualificações, mas também na idade mais produtiva.

Como consequência verificou-se em idêntico período um aumento de mais de 18% na população com mais de 65 anos, com reflexos óbvios nos fundos de pensões e serviços de saúde.

O cenário é revelador de que a procura de oportunidades de emprego e de melhor qualidade de vida fora de Portugal levou para o estrangeiro o mais qualificado sector da população, uma tendência que não se atenuou desde a crise económica da década passada, mas que se acentuou nos últimos cinco anos

Os relatórios revelam ainda que, embora a taxa de risco de pobreza tenha diminuído marginalmente de 2007 para 2017, de 19% para 17 %.,continua a afetar as camadas mais jovens e as pessoas com mais de 65 anos.

Os estudos revelam ainda que “quase 110 mil portugueses viviam no ano passado em risco de pobreza, privação material severa e quase sem trabalhar, entre 2,2 milhões de pessoas que estavam em risco de pobreza ou exclusão social”.

Nos relatórios conclui-se que o país “tem demasiadas empresas pequenas” e que esta reduzida dimensão “limita o potencial de inovação e de internacionalização”.

Uma inadequada influência dos sindicatos no mercado de trabalho tem ainda gerado consequências negativas para a produtividade.

Uma análise cuidadosa dos estudos da Prodata acentua a perceção de que seria preferível que o Executivo Português tivesse optado “menos reformas e melhores políticas”.

Ao fraco potencial de crescimento económico e escassez de capital não será alheio o rumo político da coligação do governo socialista com a extrema-esquerda, de perfil hostil ao setor privado, o que têm travado o investimento doméstico e externo.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *