Velha Esquerda … Nova Esquerda

O escritor Miguel Sousa Tavares afirmou recentemente numa entrevista concedida ao jornal Diário de Noticias que o Partido Comunista Português teria o destino inevitável de acabar a curto prazo.

Os desassombrados comentários autor do romance “Equador”, geram frequentemente controvérsia pelo implacável realismo com que analisa a sociedade portuguesa e são particularmente impiedosos para quem é visado.

As opiniões de Miguel Sousa Tavares são habitualmente aplaudidas e são também o reflexo da opinião de muitos colegas jornalistas, que não tem a coragem de exprimir em público tudo o possa parecer politicamente incorreto.

No caso do Partido Comunista Português os comentários são a confirmação do que todos podem constatar. Basta olhar para os boletins noticiosos dos vários canais da televisão portuguesas para confirmar o que Miguel Sousa Tavares quer dizer sobre necessidade do partido necessitar uma “renovação geracional”.

O problema do Partido Comunista Português está para além das suas arcaicas insígnias e atmosfera pirosamente provinciana dos seus comícios.

O PCP , a associação de perseverantes estalinistas fundada em 1921, no auge da revolução russa, foi ultrapassada , coincidentemente , em 1999,no virar do novo século, pelo Bloco de Esquerda ,uma formação politica, que transmitiria semelhante ideário de liberdades, mas liderada por jovens, utilizando meios de comunicação, linguagem e militância adequadas à geração do novo milénio.

A fusão dos vários partidos políticos que deu origem ao Bloco de Esquerda foi motivada pela intenção de substituir a “velha esquerda portuguesa “personalizada pelos partidos Comunista e Socialista.

A rigidez da disciplina ao leninismo e a grotesca necessidade de apoiar incondicionalmente a velha União Soviética ou a nova Rússia, em todos os atentados contra a liberdade, desde envenenamentos de espiões ou anexar territórios antigos países satélites como a Geórgia e Ucrânia, tem afastado a opinião pública do PCP.

Em contrapartida o ideário do BE, flexível e multiabrangente permite colagem a todas causas para as que preocupam s sociedade portuguesa, proporcionando constante oportunidades de marcar pontos junto do eleitorado

Os sucessivos resultados eleitorais revelam que o BE tem ganho progressivo espaço ao PC ao PS, a ponto de ser muleta essencial do governo do Primeiro-ministro Antonio Costa, quer no passado, quer para o futuro.

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