Não à greve no verão!

Há circunstancias que dão oportunidades inesperadas e resultados completamente diferentes do que seria previsto.

Estamos a falar da greve dos camionistas de matérias perigosas que justificadamente lançou Porugal em polvorosa .

Uma greve durante os meses de inverno poderá ser até aceitável para justificar ausência do trabalho e ficar na cama nos dias mais frios do ano.

Uma greve no Verão, muito especialmente em Agosto em via de se rumar para as praias do Algarve seria um panorama pouco auspicioso para quem passou o ano intero a sonhar com duas semanas na Quarteira.

Por seu turno governo do Primeiro Ministro Antonio Costa não estava a espera desta oportunidade de brilhar politicamente no período pré eleições e para se aproximar da almejada maioria absoluta, na consulta eleitoral do final das férias de verão.

Ainda na última semana o veterano do PSD Marques Mendes afirmou à SIC TV que não havia oposição em Portugal pois esteve sempre bem claro, durante o mandato da geringonça que nunca existiu um obstáculo credível ao governo de António Costa.

Pareceria evidente desde o início, dadas as contratempos causados da greve anterior em Abril deste ano, que o movimento dos camionistas de matérias perigosas não iria contar com a simpatia da grande maioria dos portugueses.

Como dum filme de suspenses, e com o auxílio das sensacionalistas das cadeias de televisão portuguesa, o executivo deixou desenrolar o drama para assumir a ação redentora de salvar a crise , ao estilo do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, personificados por Costa e seu executivo.

O governo assumiu uma posição enérgica e decidida defendendo o bem-estar do povo, colmatando os incómodos duma paralisação nacional e evitando os nocivos reflexos na economia nacional.

Aos grevistas foi apresentado o cenário de ver passara a caravanas de cisternas de combustíveis para a encher os depósitos das bombas de gasolina por todo o pais, quer conduzidas pela guarda republicana ou por colegas sindicalistas, intimidados pela requisição civil e ameaça de encarceramento.

No furar da greve houve mesmo a ajuda viaturas cisternas de matrícula espanhola a abastecer postos de servicos raianos .

O sindicato dos condutores de matérias perigosas deveria ter tido a consciência que não tinha o apoio da opinião pública portuguesa, que neste caso estava do lado do governo.

Nesta perspetiva está o próprio Presidente da Republica Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, ao afirmar que teme que os camionistas de matérias perigosas tenham, com esta greve, ganho a hostilidade do país, muito embora estivessem a defender uma causa que consideravam justa ,ao pedir aos patrões melhores condições de trabalho,

Nesta contenda saem perdedores os grevistas, enquanto sai reforçada a popularidade do governo socialista, num clima de euforia que não vai deixar de ter efeito decisivo nas eleições de Outubro.

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