Abstenção ,o voto do povo

No rescaldo das recentes eleições para Assembleia da Republica realizadas no inicio de Outubro verifica-se que não há grandes alterações ao cenário politico português.

O Partido Socialista obteve mais votos, mas não alcançou a maioria absoluta que desejava, o que não o impede de formar uma nova plataforma de acordos parlamentares com diminutas formações políticas, ao estilo de “mini gerigonça” que tão bem funcionou para o anterior governo.

O grande vencedor, em termos relativos com anteriores confrontos eleitorais, foi o Bloco de Esquerda, a nova imagem da esquerda portuguesa, um partido com pouco mais de vinte anos, que continua a ganhar espaço ao Partido Comunista Português a sofrer sintomas de obsoletismo ,tal como a arcaica simbologia da foice em martelo.

Os resultados foram bem piores para os partidos de direita e centro direito, CDS e PSD.

Ao invés  do que “a priori “se possa pensar os resultados eleitorais não ficaram a dever-se à boa gestão governativa.

Com efeito o executivo socialista experimentou mais escândalos, que ascenderam aos mais altos níveis do governo, como roubo das armas do paiol de Tancos, e maior intranquilidade na função pública do que qualquer executivo anterior.

A somar a esse panorama o governo continuou a demonstrar manifesta impotência para encontrar soluções para controlar os incêndios que voltaram a dizimar o país

Contra todas essas intempéries políticas resistiu o Primeiro-ministro António Costa, não porque para elas tenha dado qualquer solução, mas unicamente porque continua a ser uma figura dotada de excepcional poder de comunicação.

Comparativamente nenhum outro político português lhe fez sombra pela mera razão de serem todos muito mais pobres no jogo da dialéctica política.

Enquanto a floresta portuguesa ardia descontroladamente, António Costa ,com oratória brilhante apagava as labaredas da errática governação, com um domínio da palavra digno do mais talentoso artista de teatro.

Cansados duma governação e duma elite política que se mantém no poder por artes de retórica, mais de metade eleitores portugueses não votaram nestas ultimas eleições: 45,5 % no continente e 89.2 % nas comunidades espalhadas pelo mundo.

O mais alto índice de abstenção de sempre em actos eleitorais desde o 25 de Abril.

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