Carros de luxo e casas de lona

 Estatísticas apontam para cerca de 400 os sem abrigo que vivem em Lisboa, embora esses dados sejam pouco de fiar, porque se tratam de números que oscilam perante períodos de maiores dificuldades financeiros ou épocas do ano.

A tragédia dos sem abrigo veio à ribalta nos últimos dias por motivo da descoberta dum bebe recém-nascido num contentor de lixo na zona lisboeta de Santa Apolónia.

Os órgãos da comunicação social deram momentaneamente grande cobertura da triste ocorrência, que dentro de poucos dias não tardará a ser esquecida, até que surja incidente similar.

A poucos metros dessas moradias de lona de tendas ou moradias de cartão dos sem-abrigo estacionam veículos desportivos da mais alta gama, de custo acima de cem mil euros: uma realidade e que os portugueses constatam diariamente e que olham sem ver e verificam sem reflectir.

Os grandes mitos e as desculpas para a pública indiferença ,são de que existe a convicção de que os sem-abrigo são viciados do álcool e da droga, vagabundos de profissão ou vadios por opção.

Grande percentagem destes habitantes das moradias de cartão e de lona trabalham regularmente, fazem biscates, mas o que ganham não chega para pagar um quarto, nem uma arrecadação, que nos centros urbanos custa pelo menos 300 euros, nem 10 euros  para comer um bitoque.

O problema não é exclusivo da capital portuguesa, porque as desigualdades sociais existem em todo o mundo, especialmente em países com índice elevado de crescimento demográfico como a India, Brasil ou Indonésia, com centenas de milhões de habitantes, o que não é o caso de Portugal .

Países europeus como a Finlândia decidiram atacar frontalmente o problema dos sem abrigo, construíndo acomodação modesta, mas digna, para os desalojados da rua e os resultados desta política são animadores, esperando-se a erradicação a nível nacional dos sem abrigo, no curto espaço de tempo de menos de dois anos.

Em contraste Portugal continua a comparar mais carros de luxo, mais 15,3% face ao ano anterior, mil veículos que custaram cada uma média superior 100 mil euros.

Perante a inépcia de colmatar a angústia da pobreza dos que dormem na rua a governação portuguesa continua, à custa dos impostos dos contribuintes. a emprestar à banca montantes astronómicos  

O Estado Português já emprestou cinco mil milhões de euros para o BES e o Novo Banco, a somar a 2 mil e meio milhões que injectou na capitalização da Caixa Geral dos Depósitos.

Uma pequena percentagem dessas monumentais maquias de dinheiro poderia solucionar o infortúnio de que é obrigado a viver ao relento.

Portugal com uma população de apenas dez milhões e meio de habitantes, que pode ser atravessado de Norte a Sul em menos de seis horas, onde tudo está tão perto e ao alcance, parecem cada vez mais distantes as soluções para combater a pobreza,

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