Desigualdade

O secretário-geral da Nações Unidas proferiu esta semana um discurso assinalando o aniversário de Nelson Mandela, que este ano foi divulgado virtualmente.

Na sua mensagem António Guterres assumiu como tópico a questão da desigualdade de oportunidades, que cada vez mais aprofunda o fosso entre a opulência e a pobreza.

O tema assume maior gravidade em tempos pandemia e ruína económica, pensando o mais alto dignitário da ONU que a procura da solução para o problema deve partir das instituições de topo para tentar reformar os males da desigualdade social.

O gesto e a intenção da mensagem são generosos, mas a realidade do mundo que vivemos cada vez mais se evidencia a distância entre os que tudo possuem e os que lutam para sobreviver até ao dia seguinte.

Sem dificuldade se encontram exemplos evidentes dessas disparidades.

Basta referir um acontecimento que nesta mesma semana agitou as atenções da média em Portugal.

 Para um país de escassos recursos como Portugal, onde o risco de pobreza rondava os 15% da população antes de a pandemia eclodir, o episódio das mudanças de emprego de umas das mais famosas personagens da televisão portuguesa pode servir de paradigma do que o Secretario geral ONU aludiu no seu discurso

Perante um cenário de que cada cinco portugueses aufere menos de 700 euros mensais, a surpreendente transferência do canal SIC para a TVI significa que a celebridade televisiva Cristina Ferreira vai auferir o valor astronómico de mais de 250 mil euros por mês.

A culpa não e da famosa apresentadora da televisão, nem de quem lhe oferece tão copiosos honorários, mas sim do tipo de sociedade que não tem viabilidade nem a intenção de ser reformada para tentar nivelar desigualdades.

O desnivelamento social existe desde que o inicio da humanidade e não podem ser censurados os que por justificado mérito alcançam astronómico sucesso financeiro.

Os discursos como o de António Guterres tem que continuar a ser proferidos, à maneira de descargo de consciência, muito embora todos saibamos que não vão resolver os desnivelamentos sociais do mundo.

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