Desunião europeia

Duas leituras se podem extrair da polémica gerada em relação ao fundo de recuperação proposto pela Comissão Europeia para disponibilizar 750 mil milhões de euros de empréstimos e donativos aos países que mais ajudas necessitam para enfrentar a crise provocada pela pandemia Covid .

A primeira interpretação será que subsiste um fosso entre as nações europeias do Norte e do Sul e uma crescente desconfiança mútua no modo de gerir as finanças de cada país

Um grupo de nações lideradas pela Holanda não vê com bons olhos a maneira como os países como a Espanha, Grécia e Portugal vão aplicar os fundos dessa ajuda.

O que separa os dois grupos está no facto da pandemia ter arrasado as economias dos países dos Sul, em contraste com a resiliência e o poder de recuperação do Norte perante idênticas adversidades.

Para além do facto das duas regiões terem diferenças fulcrais, nas suas estruturas industriais e financeiras e aproveitamentos de recurso naturais, subsiste uma dissemelhança radical na produtividade e no combate à corrupção.

 No caso específico de Portugal, nesta semana duas investigações sobre a banca portuguesa corroboram a desconfiança das nações europeias relativamente à incapacidade combater a corrupção.

A primeira fonte é relatório do Tribunal de Contas Português,que afirma que se registou ”falta de independência, instrumentos insuficientes, conflito de interesses actuação do regulador nos processos de resolução do Bando Espirito Santo e do Banco Internacional do Funchal “.

Mais adiante no mesmo documento se afirma que o Banco de Portugal ,como órgão de fiscalização, não cumpriu a sua missão e ”lesou o país e os contribuintes”.

“sempre que enviamos dinheiro para Portugal há mais umas centenas de socialistas ricos”

A outra fonte emana da Comissão de Auditoria Comunidade Europeia ,que analisa a actuação dos bancos centrais, e que coloca Banco Portugal na lista vermelha, ao concluir que não houve “”transparência do Banco Portugal nas resoluções do BES e do Banif”, concluindo que “”não se verificou a independência exigida, havendo “conflito de interesses entre funções da resolução e da supervisão”.

A leitura mais divertida foram os recentes comentários do Primeiro-ministro e do Ministro das Finanças Holandeses sobre Portugal.

Mark Rutte, o Primeiro-ministro Holandês disse recentemente : “sempre que enviamos dinheiro para Portugal há mais umas centenas de socialistas ricos”

Os Portugues não podem gastar o dinheiro em álcool e mulheres

Por seu turno ,o Ministro das Finanças flamengo afirmou: ” a zona Euro do Norte demonstrou solidariedade. Solidariedade que para quem a pede, mas que também tem deveres... os Portugues não podem gastar o dinheiro em álcool e mulheres e então pedir auxílio”

O Primeiro-ministro português considerou “repugnantes” e “contrárias ao espírito da União Europeia” a declaração dos governantes holandeses.

Seja, qual for a indignação as afirmações são “” desabafos” de representantes de governos, ao mais alto escalão, que interpretam o pensar das nações europeias do Norte sobre os portugueses e o seu governo.

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