Desaparecidos…

O número de crianças desaparecidas anualmente em todo o mundo é impossível de determinar ,pois não existem estatísticas que quantifiquem a dimensão do problema.

O principal motivo será que em muitos casos não registam participações feitas pelas famílias de menores que se ausentam de casa para não mais voltar, quer por fuga voluntária, rapto ou acidente.

Para avaliar a dimensão do drama ,que afecta a juventude perdida sem rasto, basta mencionar dados de países como  a Alemanha, onde anualmente se registam 100,000 crianças desaparecidas, a Rússia e o Canada, ambos registando 45,000 e a Inglaterra e a Índia  cada um com 100.000.

No topo da lista temos os Estados Unidos com 460,000 menores dados como desaparecidos anualmente.

Em países com estruturas de menor controlo populacional, mais escassos são os elementos para equacional a tragédia de centenas de milhares de crianças que abandonam o agregado familiar

A dimensão da desgraça, não chega a atingir, na maior parte dos casos, os órgãos de comunicação, nem são alvo de notícia.

Neste trágico universo de centenas de milhares de menores que desaparecem todos os anos, ressalta um facto insólito de internacionalmente se continuarem a publicar tantas reportagens sobre o desaparecimento há mais de dez anos duma certa criança inglesa.

Não há registo de desaparecimento que tenha  tanta cobertura mediática nem tenha envolvido tanta investigação policial como o desaparecimento de Madeleine McCann .

Até agora foram gastos pelo erário britânico mais de onze milhões e meio de libras ,em investigações relacionadas com o desaparecimento da criança britânica da estância balnear Algarvia da Praia Luz em 2007, despesas que não incluem custos de diligências e averiguações efectuadas por outras polícias internacionais, incluindo Portugal

O mistério subsiste, mais de treze anos depois do estranho desaparecimento, do qual até os próprios pais foram considerados suspeitos pela polícia portuguesa.

De acordo com declarações numa entrevista concedida para um documentário, recentemente exibido pela televisão Australiana, o Diretor da polícia Judiciária Portuguesa, Gonçalo Amaral, que coordenou a fase inicial da investigação do rapto, teria havido uma ocultação de factos  e “encobrimento” nas diligências efetuadas por parte dos serviços secretos britânicos, M15,e pelo Primeiro-ministro  na altura,Gordon Brown.

As acusações que constam no livro publicado pelo do Director da PJ portuguesa apontam para uma conspiração ao mais alto nível, o que também pode explicar porquê  que o desaparecimento da criança britânica tenha chamado as atenções públicas com constantes reaberturas do processo pela polícia britânica e repetida  pesquisas e buscas  forenses, quer no Algarve, quer internacionais.

Relativamente à recente descoberta  de mais um suspeito, da já  longa lista relacionada com o processo, o alemão Cristian B ,o inspetor português, diz que se trata de mais um “bode expiatório”.

Seja qual for a conclusão deste mistério, o que é certo e que nunca houve tanto dinheiro gasto em pesquisas policiais como no enigma de Madeleine McCann,em contraste com o trágico cenário de centenas de milhares de crianças vitimas de desaparecimento que todos os anos se registam no mundo.

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