CHACINA!

Um destas manhãs quando liguei para o telejornal da RTP Internacional não queria acreditar no que via.

Entre as palavras que podem definir “chacina” encontramos matança, massacre, carnificina e morticínio e todas elas se aplicam para descrever o “animalesco genocídio”, praticado há dias no Ribatejo, numa herdade na região da Azambuja.

 O que aconteceu não é dum país de pacífica população e de pacatos costumes, como se costuma propagandear Portugal aos estrangeiros que nos vem visitar.

Não há povo do mundo, por mais primitivo que seja, que desejaria ser cenário, e que tenha  concidadãos autores de tão vergonhosa carnificina.

Há várias conclusões que se podem apurar deste repugnante acontecimento.

Antes de politizar as causas dessa tragédia ambiental e investigar obscuros negócios, deverá exigir-se ao Governo Português uma imediata revisão da lei da caça, desporto oriundo da mentalidade medieval dos grandes senhores da terra, que continua ser um culto protegido em Portugal.

Nunca pude perceber, desde os anos da minha juventude, que vivi em Trás-os-Montes, lá para as bandas do Beira Douro, o estatuto de impunidade como que pela manhã apareciam as sombras furtivas de caçadores, a invadir sem permissão as nossas terras para  começar aos tiros e abater tudo o que esvoaçava.

Uma das ilações deste ato repugnante praticado no Ribatejo é a hipocrisia dos que defendem o ambiente e o ecossistema, e que, em simultâneo, não hesitam em premir o gatilho duma caçadeira,para matar um animal indefeso, criado num ambiente em que foi encurralado para ser abatido.

Outra incongruência é a legislação sobre uso e porte arma em Portugal que limita os calibres das armas de defesa a munições, que não beliscam nenhum meliante ou intruso, mas que permitem que um conterrâneo, com licença de caçador  possa ter em casa um arsenal da maior variedade de mortíferas espingardas.

Não são raras as semanas, que por zangas familiares, ou desavenças com de vizinhos, se desfecham disparos de  caçadeira para saldar disputas.

No entanto as caçadeiras continuam a ser religiosamente guardadas nos armários de grande número de moradias, para servirem  de instrumento da próxima  sanguinária tragédia.

Estas horripilantes imagens da mortandade da Azambuja, em breve serão esquecidas pelas redes noticiosas, e opinião pública, sem consequências para os autores do massacre, que decerto vão ficar  impunes .

Quando voltar ouvir falar de defesa do ambiente em Portugal ,só poderei  sentir repulsa  pela duplicidade de carácter duma sociedade ,que ignora e contemporiza com a mentalidade assassina de quem cometeu  tal massacre contra a vida e a natureza do nosso planeta.

One Comment on “CHACINA!”

  1. De facto trata-se de uma enormidade. Nao poderiam ter sido os animais ter sido ferrecidos a outros parques? Certamente que em parques de consrvacao da vida animal quando uma das especies cresce demasiado abatem-se alguns animais para restaurar o equilibrio. Mas neste caso nao houve o minimo bom senso para resolver um problema(?). Sera que alguem ira sofrer as consequencias ou trata-se de mais um caso de que cada um faz o que lhe apetece?

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