Duas “Europas”

O mês passado foi caracterizada por dois incidentes, que envolveram dois ministros de governos europeus que tiveram repercussões diversas.

Na Inglaterra o ministro da saúde foi apanhada por uma câmara indiscreta a oscular a namorada, que era também sua colega no departamento que dirigia.

A pouco nítida foto, publicada num dos periódicos sensacionalistas britânicos, dificilmente seria suficiente para identificar os intervenientes da romântica carícia, mas foi bastante para afastar do governo um dos mais preciosos colaboradores do gabinete do Primeiro-ministro Boris Johnson.

Inicialmente o próprio chefe do governo inglês considerou de mínima relevância o amoroso episódio, julgando o assunto encerrado.

Uma modesta prova de ternura entre dois amantes virou “viral” nas redes sociais e gerou intenso debate .

O ministro britânico foi censurado por não respeitar as regras de proteção contra o Covid, de distanciamento social entre funcionários no local trabalho

O ligeiro devaneio ministerial gerou na opinião pública tão elevada número críticas que não deu outra alternativa aos dois desvanecidos amantes senão apresentarem demissão dos seus cargos que desempenhavam no ministério da saúde inglês.

Mais a sul, noutro canto da Europa, bem mais grave seria ocorrência envolvendo um ministro português, quando a viatura oficial em que seguia a alta velocidade atropelou um operário que na trabalhava no serviço de manutenção da auto-estrada.

A circunstância mais agravante foi que o dito ministro nem sequer deu instruções ao seu condutor para parar e proporcionar assistência à vítima, que acabaria por falecer no local do abalroamento pelo veículo governamental.

Ao contrário do que aconteceu na Inglaterra não houve consequências negativas para o membro do governo português envolvido no trágico acontecimento.

A um tardio pedido de desculpa à família do malogrado operário, que deixa para trás viúva e dois filhos, seguiu-se uma veemente recusa de se demitir do cargo de Ministro de Interior.

Do Primeiro-Ministro português nem uma palavra de censura ao membro do seu governo que   não quis socorrer a vítima.

No caso do beijo do Ministro inglês resultou uma penalização talvez excessiva.

No atropelamento do carro ministerial português, a resposta foi a impunidade.

Duas Europas, dois conceitos de moralidade diferentes.

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